Ivan Balista é psicólogo com especialização em Recursos Humanos e Responsabilidade Social nas Organizações. Implantou programas de inclusão social e treinamento com foco em gestão por competências. Atua como psicoterapeuta e coach profissional.

 
   

Ser diferente

Muito se tem enfatizado sobre a importância de viver e trabalhar num ambiente de diversidades étnicas, de credos religiosos, de níveis culturais, de gêneros, de classes sociais, de diferenças físicas – deficientes físicos, mentais, surdos, cegos, gordos, magros, etc. –, e por aí vai.

A maioria das pessoas tem uma tendência a buscar seus iguais, semelhantes, de modo a serem menos ameaçadas ou menos provocadas. É a chamada zona de conforto.
No ambiente de trabalho, as diferenças ficam bem mais evidentes e dependendo de como nos relacionamos com elas, o desconforto pode ser ainda maior.

Abrir-se para o novo é tirar o que a diferença tem de melhor, contribuindo para uma relação de trabalho mais criativa e de maior crescimento pessoal.

É muito mais fácil julgar ou discriminar o diferente do que compreender, respeitar e perceber que cada ser é único e, responde às várias situações do dia-a-dia trazendo novo colorido. Seu matiz pessoal.

Utiliza-se de muitas ferramentas do mundo moderno para caracterizar; dar nomes aos estilos de atuação das pessoas. Dentro disto, conseguimos criar rótulos que se não bem empregados, acabam discriminando ainda mais e criando um álibi para reforçar o que não gostamos nesta ou naquela pessoa.

Mas, quando há respeito para com o outro e uma mente aberta para o novo, notamos o quanto as diferenças individuais podem contribuir em nossas vidas.
No ambiente empresarial, por exemplo, vai além do criar normas para a diversidade e sim de acolhê-la, simplesmente por que é diferente e pronto.

E não se trata de não ter critérios. Afinal, maus profissionais ou pessoas inadequadamente aproveitadas, estão em todas as partes. Falta de ética e de escrúpulos também são encontrados em todos os lugares.

Quando todos são iguais ou pensam iguais, dá a sensação de que a energia não circula e não se renova.

O antropólogo Claude Lévi-Strauss disse que “somos diferentes sim, mas, podemos nos entender, porque nossas estruturas mentais funcionam da mesma maneira”.
Se estivermos abertos para o novo, certamente iremos encontrar em nós mesmos, semelhanças com o diverso.

Afinal de contas, todos nós somos diversos, pois, em algum momento de nossas vidas já nos sentimos discriminados ou pelo menos muito diferentes de outros.

Para o pensador Edgar Morin “O diferente não deve ser entendido como inimigo”. Ele não deve ser uma ameaça e sim a possibilidade de descobrir um mundo novo. Afinal, cada ser é único e traz consigo sua bagagem de vida.

Só temos a crescer quando nos permitimos aprender com estas diferenças, de modo que acaba não importando se é homem, mulher, deficiente físico, jovem, velho, cego ou surdo.
Também não importa qual orientação sexual tenha ou em que Deus crê.
Assim os padrões de certo e errado acabam mudando, bem como a maneira de fazer as coisas. Este é uma mudança que começa por dentro e não apenas nas aparências.

Notamos assim que o preconceito vai desaparecendo e que todos só temos a ganhar com isso.

Certamente não é uma tarefa fácil. O ser humano já evoluiu tanto em ciência e tecnologia, mas quando se trata das relações pessoais ainda há muito por se trilhar.

Por outro lado, sabemos que para este mesmo ser humano tudo pode ser possível.

Então, faça a sua parte e se permita como ser pensante, dar mais um passo para a evolução da espécie.


 

 



 
 
 

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